A cena é basicamente esta: Um pequeno ponto de luz azul-vivo que pisca incesante logo ali; o céu sem cor acima de mim - repleto de pontos luminosos anunciando um dia alegre, diferente de mim; o vento gelado que corta minha garganta em diversas partes; os prédios ao redor que parecem querer tombar, curvando-se por cima de meu corpo estático. Os sons ao meu redor são diferentes, e até mesmo os movimentos repetitivos me irritam. Tudo tornou-se cansativo, e eu danço conforme a luz azul pisca frenéticamente. Quero fugir de tudo, fugir de todos, fugir do mundo. Seria uma rápida fuga, uma escapada da realidade, uma viagem curta porém sem volta. Mesmo a noite sendo anestesia, é insuficiente. Fecho os olhos, porém ainda sei o que há detrás da escuridão.
05 julho 2011
12 junho 2011
Agora & Depois
Tão irônico que não quis creer.
De um lado a imensidão silenciada e adormecida. Do outro, o barulho de uma noite incomum.
E você no meio.
Era como uma divisão. Entre o instantâneo e o duradouro. O agora e o depois.
Quis escolher um lado. Mas não era muito cedo?
Ali dentro, lá fora.
O meu corpo repousou exatamente igual ao teu. Derrubado, rendido.
Você pode lembrar o meu nome?
Havia frio circulando por dois lugares. Meu corpo e no depois. O vento invisível no céu negro.
E atrás de mim tão quente. No que eu chamei de agora.
Porém eu queria prolongar. Levar adiante a intensa novidade. E o por que disso?
Responda-me você.
Há uma ironia existente aqui. Entre o certo e o errado. O impulso e o medo de arrepender-se.
Mas não havia erro. Havia eu e você. O agora e o depois. O agora ou o depois.
Então fiz o que achei ser o certo. Meus lábios e os teus.
Do lado de fora. No depois.
E pensando bem comigo mesmo eu tento entender:
Por que eu?
Responda-me você.
Já eu, posso dizer que nunca encontrei um depois tão incrível. Encaixavelmente ofegante.
E hoje meus desejos modificaram-se. Eles te chamam.
Porém eu não quero esconder-me em um mundo tão pequeno.
Então você pode mudar isso?
Talvez pelo momento tenha sido bom. E irônico outra vez.
Nada de testemunhas. Então acabamos por ocultar do lado de fora. Que foi o depois.
Se tivéssemos encarado o que temias e enfrentado qualquer um... Bem, este teria sido o agora. E ele é tão passageiro.
Perceba meus sentimentos de cabeça para baixo. Não lhe é familiar?
Responda-me você.
Tolice
E o meu amor ele é assim
Tímido e silenciado
Visível aos olhos perceptivos
Distante das almas embriagadas
Voa e repousa quando encontra
Lugar qualquer é porto seguro
Não digo que permanece ali paciente
Porém recolhe o que de melhor encontra
E aí quando o aprisionam
Céus!, quase afogo em esperança
Passo a não ver mais o que preciso
Então absorvo o que não convém
Mas que falta de sorte!
Ou de raciocínio lógico talvez
Qualquer indivíduo poderia enxergar
A paixão mascarada de amor
Quase sempre é muito tarde
Percebo que até amanhã não é para sempre
E o amor fez de mim um tolo outra vez
Todos sabiam, menos eu
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