Bem-vinda novamente, agonizante solidão
O que trouxe para mim desta vez?
Um punhado de lágrimas em ambas as mãos
São tudo que posso entregar à você
Meu grito está preso aqui dentro
Posso apagar as luzes e não mais ver?
Sussurro tão baixo, quase em silêncio
De olhos fechados eu posso entender
Nada bom é estar sozinho nesta multidão
Rodeado de olhares com puro interesse
Talvez eu devesse um sim, ao contrário do não
Despertaria já tendo passado alguns meses
Mas não é simples assim que tudo acontece
Tenho que viver para estar lá no fim
Mas todas as vezes que o problema aparece
Não pensei que doeria tanto assim
Então volte outra dia, agonizante solidão
Quem sabe eu tenha tornado-me um sujeito forte
E o sofrimento calado não tenha sido em vão
Porém para isso preciso de um pouco de sorte
27 julho 2011
Dor quieta
24 julho 2011
Logo ali, cicatriz
Ainda era madrugada, e o frio intensificava-se monotonamente, prolongando a escuridão do lado de fora. Pela janela eu observava as gotas de chuva ali paradas, iluminadas por luzes de cor esverdeada que indicavam o caminho a seguir. Do lado de dentro, escondia-me com fracasso debaixo de um cobertor fino, tentando manter longe os meus pensamentos. Porém era só tentativa. Você habitava - como sempre - cada pedaço de mim.
E, ainda naquela madrugada, não havia nenhuma novidade em amar você. Continuava tudo como sempre foi: forte, carente e inconscientemente impossível. Eu precisava de uma vez acabar com qualquer esperança que ainda alimentasse. Porém eu precisava delas para manter-me vivo. Idealizar um romance inexistente, esboçar com o lápis o teu sorriso que jamais conseguiria transpor com exatidão para o papel... Ah, como sou um tolo. E culpado. Permitir que isso tomasse conta de mim em troca de você. Quero dizer, você apareceu e eu não podia pedir por mais nada. Quando se foi, preenchi o vazio com isso que chamo de amor. Mas não me faz bem, ao contrário do que deveria ser. Dói aqui, arde em silêncio, e não há muito a se fazer para que um cicatrização ocorra de imediato. É preciso esperar, e eu nunca fui bom nisso. Infelizmente.
O que mais angustia o meu ser, porém, é saber a perfeição que poderíamos ser caso estivéssemos juntos. Desconheceríamos o significado do errado, não haveria proibição e acabaríamos de vez com a tristeza. Mas não é unicamente de felicidade que se constrói uma relação, e não só com palavras tão bem escritas, pensadas e sentimentalistas ao extremo que se conquista alguém. Músicas compostas por mim são trilhas sonoras que rapidamente você virá a esquecer, e estes textos cansados de tanto descrever-te... Bem, de nada adiantará. Pois há querer nisso tudo, e sei exatamente que quanto à ele tu se opõem.
É uma pena que você não queira me amar como te amo. Que não queiras sentir tudo que sinto e que me motiva a ir de lá para cá. Porque eu poderia explicar-te quão bom tudo isso foi. Mas acabou. Não volta mais. Agora é apenas ferida aberta, insonsolavelmente na espera de uma poção mágica. Outra vez, inexistente. É uma pena saber que não é o amor que me mata, pois por ele eu morreria sem reclamar. É, no entanto, a falta dele que me faz desistir.
E, ainda naquela madrugada, não havia nenhuma novidade em amar você. Continuava tudo como sempre foi: forte, carente e inconscientemente impossível. Eu precisava de uma vez acabar com qualquer esperança que ainda alimentasse. Porém eu precisava delas para manter-me vivo. Idealizar um romance inexistente, esboçar com o lápis o teu sorriso que jamais conseguiria transpor com exatidão para o papel... Ah, como sou um tolo. E culpado. Permitir que isso tomasse conta de mim em troca de você. Quero dizer, você apareceu e eu não podia pedir por mais nada. Quando se foi, preenchi o vazio com isso que chamo de amor. Mas não me faz bem, ao contrário do que deveria ser. Dói aqui, arde em silêncio, e não há muito a se fazer para que um cicatrização ocorra de imediato. É preciso esperar, e eu nunca fui bom nisso. Infelizmente.
O que mais angustia o meu ser, porém, é saber a perfeição que poderíamos ser caso estivéssemos juntos. Desconheceríamos o significado do errado, não haveria proibição e acabaríamos de vez com a tristeza. Mas não é unicamente de felicidade que se constrói uma relação, e não só com palavras tão bem escritas, pensadas e sentimentalistas ao extremo que se conquista alguém. Músicas compostas por mim são trilhas sonoras que rapidamente você virá a esquecer, e estes textos cansados de tanto descrever-te... Bem, de nada adiantará. Pois há querer nisso tudo, e sei exatamente que quanto à ele tu se opõem.
É uma pena que você não queira me amar como te amo. Que não queiras sentir tudo que sinto e que me motiva a ir de lá para cá. Porque eu poderia explicar-te quão bom tudo isso foi. Mas acabou. Não volta mais. Agora é apenas ferida aberta, insonsolavelmente na espera de uma poção mágica. Outra vez, inexistente. É uma pena saber que não é o amor que me mata, pois por ele eu morreria sem reclamar. É, no entanto, a falta dele que me faz desistir.
17 julho 2011
Quem sabe
Adeus!,
Gritei para você
Obviamente o fiz em silêncio
Você pode perceber?
Hoje estou partindo
Quem sabe quando volto
Mas aqui dentro na mente
Quem sabe quando te solto?
Logo ali não estarei
Talvez um pouco mais longe
Espero que lembre de mim
Um pouco mais do que hoje
A falta é a melhor das ideias
Assim lhe forço a se perguntar
'Onde está ele agora?
Será que tarda a regressar?'
Mas que indelicadeza a minha
Pensar que alguém como tu irá reparar
Que agora estou partindo
Quem sabe para não mais voltar
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