17 junho 2012

O Menino Debaixo da Minha Cama - 2ª Edição


Sophie é uma adolescente de 16 anos comum, diferentemente de seus problemas. A garota de cidade pequena que mora em uma terrível casa que foi pintada de roxo não tem mais motivos para viver: A irmã está grávida do namorado motoqueiro, o bebê que a mãe tivera durante o segundo casamento a faz acordar todas as noites, e o irmão caçula... Bem, ele é o caçula. Vivendo de arrastar passos diariamente, a sua vida porém ganha um novo sentido ao conhecer Jonas, um introspectivo garoto que ela encontra em um parque abandonado perto de casa. Imersa em tantos novos segredos, perguntas sem respostas e, claro, no perigoso amor, descobre que o garoto é um pequeno fugitivo. Encontrando nele, então, um motivo para acreditar na vida, ela arrisca o inesperado ao escondê-lo debaixo de sua cama.

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10 junho 2012

O tal do novo alguém

Como você sabe quando está começando a gostar de alguém?
Quero dizer, não há nenhum aviso quanto a isso. Não tocam a nossa campainha para que acordemos e nos demos conta, não recebemos nenhum e-mail na caixa de entrada cujo assunto em si já é claro o suficiente: 'Você está apaixonado'.
Descobrir que há alguém novo em sua vida é uma tarefa tão simples que engana qualquer um. Sim, temos a plena consciência de que uma nova pessoa passou a fazer parte de nossa rotina. Ela está lá, então, tomando o lugar dela, assim como todas as outras anteriormente tomaram os seus. O que você não sabe, no entanto, é que não é somente isso. Aquela nova presença, aos poucos, expande involuntariamente o espaço em sua vida que tinha agarrado para si. Vocês conversam todos os dias, riem das mesmas coisas, trocam mensagens sobre o que estão fazendo. Nesse momento, meu amigo, tudo já foi por água abaixo.
Você está apaixonado. Não dá para escapar.
Quando o momento de refletir a respeito dos efeitos colaterais que aquele liquidificador de sensações instalado dentro de você anda lhe proporcionando, já não há o que negar. Ou você vai mentir que não fez download de todas as músicas que o tal do novo alguém lhe indicou? E quando você percebeu que estava sem créditos no celular e continuou a mandar mensagens confidenciando tudo, as quais ele nunca lerá? Nos últimos dias você tem analisado cada palavra que essa fresca presença lhe disse, a fim de compreender se não existe nenhuma vírgula de sentimentalismo recíproco por ali. Você está amando, e agora sabe disso.
Não, não existe nenhum e-mail além do turbilhão de compras coletivas na sua caixa de entrada. Ninguém lhe ousou dizer que andavas meio bobo, ridículo quase o tempo todo. Você vem cantarolando músicas novas que nem mesmo está a par da letra, porém elas têm sido a trilha sonora desse lance estranho e recente que te acertou em cheio. Bem, como eu disse, descobrir que alguém novo anda habitando os seus pensamentos mais do que o conveniente é tão simples.
Basta sentir. E, então, deixar o tal do novo alguém entrar.

08 junho 2012

O Retrovisor

Enfraqueci. Derrapei na curva mais fácil, da qual eu deveria ter saído ileso. Tu tinhas permanecido lá, em outra cidade, longe o suficiente para que eu pudesse te deixar para trás. E eu, que já vinha havia algum tempo me distanciando, esqueci que a nossa estrada sempre fora traiçoeira. Logo ali estava outro município, estado, país. E agora sinto-me um tolo por ter de confessar que a fronteira que me separa de ti eu não soube cruzar.
Amores são vãos, amores são recheados de empecilhos. Sim, contraditório. Tão tu e eu. E agora, que parei nesta estrada e olhei para trás - outra vez, pois esta não foi a primeira -, mal posso evitar o pensamento de que sentir tua falta foi algo que sempre esteve aqui. Por vezes silenciou-se este sentimento, porém agora avivou-se o necessário para me fazer pisar no freio. A vida tem lá, sim, o seu retrovisor. E para ele só olha quem quer - ou precisa.
Pensei então em regressar. A estrada de volta seria longa, porém continuar meu caminho sem ti seria o mesmo que guiar-me sem um mapa. Aterrorizantemente divertido - restava saber se isto me agradava. Por outro lado, recordei o porque de eu ter partido: saí da tua cidade porque lá o ar tinha teu cheiro. Nos restaurantes e danceterias, o teu sorriso ainda tinha deixado rastros de luz. Não obstante, teus longos dedos me prendiam, sendo que crime nenhum eu havia cometido. E, por fim, acabei por sair de ti porque eu tinha mais do que poderia segurar em meu peito. Sim, tu me destes o amor de uma vida - quando eu ainda estava tentando adivinhar se tinha uma. 
Saltei do carro e joguei-me ao chão. Farol vermelho no meio do nada. Se eu pudesse mandar um sinal de socorro, seria para que você viesse atrás de mim. Se ainda me amas, sana meu enganamento de que tu e eu  chegamos no fim da linha, que nunca daríamos certo. Quem sabe a distância não me fez perceber que te amar é a tarefa mais simples de todas. Porém, como te disse, enfraqueci. E daqui não sei sair. A escolha, então, se devo seguir ao norte ou voltar para o sul, depende de ti.
Ah, pensando bem, crime eu cometi sim: foi ter olhado no retrovisor.