18 fevereiro 2011

Matizes


Humanos são lápis de cor para mim
Conto um, dois, três, enfim
Quantos cabem em minha mão posso ver
Mas a cor preferida... Que difícil dizer!

Como sonho de criança
Queria eu ter uma caixa infindável
Quarenta e oito cores diferentes
Cuidado!, Pode ser quebrável

Mas que tolice a minha
Pois insisto em apontar
Dar nova chance ao que foi desfeito
O perdido logo não irá voltar

E continuo a renovar toda vez
Que a ponta colorida insiste em cair
Talvez seja um sinal meio confuso
Que eu apenas o deva deixar ir

Então guardarei-os em um baú secreto
Pontas quebradas e lápis pequenos
Cansei de repetir o incerto
Insistência é o que quero menos

17 fevereiro 2011

Promessa

E este punhado de ossos reunidos, que estruturam teu corpo frágil... Bem, é nesta junção que eu gostaria de morar. Habitando o espaço que felizmente encontrava-se vago, preencherei de desejos cada milímetro de teus lábios que até então soam-me apenas como eco longínquo. Transformarei teus segundos em horas, e quando estiver longe, seu sorriso estará enquadrado em meu coração. Promessa seja dita, ele só baterá por você. E se algum dia o amor vier a lhe faltar, basta que lentamente abra os olhos para despertar de um novo pesadelo, pois realidade eu nunca permitiria que isso fosse.

11 fevereiro 2011

Cama de incertezas

O barulho irritante daquele velho ventilador de teto era o único som do quarto que jamais conhecera iluminação artificial. Passava das onze quando tive a certeza de que meus pensamentos não passavam de caos. As imagens das escolhas a serem tomadas eram pintadas de tons suaves no teto diante de mim. E eu ali, deitado naquela vasta cama de colchão de molas duras, imaginando o que deveria ser feito. O que era impossível de se concretizar, pois eu jamais chegaria a uma decisão. Morrer ou continuar vivendo, no fim os dois eram absolutamente iguais. Respirar tornara-se tão sufocante quanto perder o ar caso a minha vida também viesse a ser perdida. Literalmente, eu digo, pois em metáfora isso já era uma verdade absoluta.
Aquela cama de incertezas servia-me de caixão.