E este punhado de ossos reunidos, que estruturam teu corpo frágil... Bem, é nesta junção que eu gostaria de morar. Habitando o espaço que felizmente encontrava-se vago, preencherei de desejos cada milímetro de teus lábios que até então soam-me apenas como eco longínquo. Transformarei teus segundos em horas, e quando estiver longe, seu sorriso estará enquadrado em meu coração. Promessa seja dita, ele só baterá por você. E se algum dia o amor vier a lhe faltar, basta que lentamente abra os olhos para despertar de um novo pesadelo, pois realidade eu nunca permitiria que isso fosse.
17 fevereiro 2011
11 fevereiro 2011
Cama de incertezas
O barulho irritante daquele velho ventilador de teto era o único som do quarto que jamais conhecera iluminação artificial. Passava das onze quando tive a certeza de que meus pensamentos não passavam de caos. As imagens das escolhas a serem tomadas eram pintadas de tons suaves no teto diante de mim. E eu ali, deitado naquela vasta cama de colchão de molas duras, imaginando o que deveria ser feito. O que era impossível de se concretizar, pois eu jamais chegaria a uma decisão. Morrer ou continuar vivendo, no fim os dois eram absolutamente iguais. Respirar tornara-se tão sufocante quanto perder o ar caso a minha vida também viesse a ser perdida. Literalmente, eu digo, pois em metáfora isso já era uma verdade absoluta.
Aquela cama de incertezas servia-me de caixão.
Aquela cama de incertezas servia-me de caixão.
18 janeiro 2011
Fundamental
Meu corpo trivialmente impontual afunda no colchão de textura áspera que um dia costumava ser macio e acolhedor o suficiente. Lençóis ligeiramente amarelados, revoltos em montes dispersos pelo quadrado de pouco mais de dois metros são os guardiões do teu cheiro edulcorado, jamais efêmero, que um dia habitou estes mesmos pedaços de pano por onde agora circula o meu corpo nu. O rádio de pilha ao meu lado cospe a voz incessante do mesmo cantor, minuto após minuto. O nosso som vai sempre ecoar. As cortinas pesadas, de gosto duvidoso - porém totalmente seu -, impedem que um único feixe de luz atinja meu olhar petrificado no nada. Como se qualquer luz fosse capaz de ser mais proveitosa do que a sua. Nada jamais brilhou tanto quanto você. E os pensamentos corriqueiros que fream as memórias que insistem em não partir são aqueles mesmos, todos compostos de perguntas sobre como tudo seria se você ainda extivesse aqui.
Tenho tudo. O cenário, o odor, as lembranças quase reais. Menos você.
Tenho tudo. O cenário, o odor, as lembranças quase reais. Menos você.
Assinar:
Postagens (Atom)