18 março 2012

Eu espero que você entenda

Quero que saibas que não me encontrarás mais essa noite. Não aparecerei em nosso ponto marcado, então não espere por mim. Hoje decidi caminhar por estas ruas que já foram tão nossas quando começamos o 'era uma vez' que marcava o início daquela história nunca contada de nós dois. Vagando como um simplório idiota, em segredo elas me contam o que eu apenas estava impossibilitado de ver. Teus olhares para o outro lado da rua esta avenida presenciou.
Solos de guitarra aparecem como em sintonia bem executada. As notas reviram meu interior e a minha vontade é de vomitar um pouco de você bem aqui neste chão, onde já sentamos para olhar o céu. O meio fio era o nosso melhor amigo, enquanto as fachadas das lojas deste lugar serviram como quadros negros para o amor que havíamos criado. Pintamos elas todas, a cada dia escrevendo um pouco mais. Deixamos tatuado o amor nestas portas fechadas. E às vezes eu ainda choro por mim. Choro por nós.
Sento no capô de um carro que não é meu e observo o nada por frente a mim passar. Há silêncio e há som de guitarra. Uma dose forte de nada batida com duas pedras de gelo, representando simbolicamente o teu amor. Quanto frio existe aqui. As esquinas logo em diante riem de mim, sabem que estou perdido. Pergunto-me como vim parar aqui, quero saber se eu não deveria ter voltado para você. Quem sabe comparecer ao nosso encontro para escutar aquelas explicações banais fosse uma melhor pedida. Qualquer coisa para ouvir a tua voz que me acobertaria e queimaria o que restou de mim. Afogado nesta poça de cartas de baralho eu já nem sei mais quem sou.
Como último desejo, eu espero que você entenda. Diferentemente dos mendigos presentes nesta avenida, eu não estou mendigando nada. Eu não estou mendigando o seu amor. Aquilo que quero está escondido por aí, e cabe a você agora procurar. Volte para essa rua, por favor peça para que troquem de música. Deixei você esta noite para que eu pudesse testar a minha estupidez. Pois bem, falhei. Não consegui o que queria. Eu ainda penso em você. Mas, outra vez, eu espero que você entenda. O certo não é dizer que eu não te quis, que eu te neguei. Que nos construí para implodir mais tarde. Correto mesmo é afirmar que não suportei o peso de lhe ter, por mais que isso fosse o que eu sempre quis.
Agora mesmo me deito no meio da rua. Céu logo acima, com uma mão eu poderia tocar. Agarrar estas estrelas e colecionar algo que não seja os teus beijos, pois estes eu tenho de descartar. Um carro vem brilhando ao fundo, então eu sorrio feliz. Conto um, dois, três. Olá, meu fim.

Um comentário:

  1. um lindo texto pra volta do blog! parabéns pedro!

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