24 junho 2010

Ponteiros de plástico

O relógio está sob a minha cama, preso à parede. Os seus ponteiros movem-se com certa pressa, querendo atingir logo a linha de chegada, sendo que ela nem mesmo existe. A trilha sonora é o tic tac incessável que reina soberanamente. No meu quarto pintado de negro, luz é apenas um objetivo inalcançável, assim como você.
Apesar disso, continuo repetindo para mim mesmo que a coisa mais inútil a se fazer é sofrer pelo amor. Agarrar-se com todas as esperanças à uma pessoa é tão inútil quanto tentar agarrar uma bóia em um oceano em fúria. As pessoas vão e vem, somem e reaparecem. Assim como a bóia.
Amor não existe.
Ok, exagero.
Amor demora para aparecer.
Ok, certeza.
Paixão é o sentimento certo. O mais ridículo deles, eu diria.
É ela que faz com que você fique parecendo um retardado a cada passo que a pessoa amada dá. É ela a responsável pelas suas longas horas de pensamentos sobre alguém que não está pensando em você do mesmo jeito. E, por fim, também é ela que te ilude, fazendo-te acreditar que o amor já chegou, mas na verdade ele ainda nem apareceu. Ele só irá tornar-se presente depois que a paixão passar. A euforia, a ansiedade, a apreensão... Tudo vai embora, e aí o amor acontece. Não direi o que vem depois disso, pois eu ainda não cheguei nesta fase. Eu digo, ainda não o alcancei.
E, é, talvez seja inútil mesmo sofrer pelo amor.
Pelo menos enquanto ainda nem o conhecemos.
Mas os ponteiros... Bem, eles continuam a avançar.

3 comentários:

  1. você é absurdo. jesus!

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  2. talvez seja inútil mesmo sofrer pelo amor, mas desistir dele é mais inutil ainda :(

    <3

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  3. caracas xuxu,que perfeito *-*
    sério,gosto tanto dos seus posts,voce escreve coisas tão lindas e eu me identifico tanto com o que voce escreve,é tudo tao lindo e fofo ♥ qs

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