28 novembro 2009

A lua me disse

Pode soar meio estranho, mas a lua falou comigo. Eu me aproximei o máximo que pude a fim de que ela conseguisse escutar minhas palavras sussurradas.
Três longos dias passaram-se desde então, e fico perguntando-me se ela escutou o que eu havia pedido.
Talvez tenha sido algo grande demais, talvez ela não tenha escutado, ou até mesmo talvez eu seja o único que acredite que a lua realiza desejos. Mas eu não posso dizer que não tentei.
Acontece que esta noite a lua voltou a visitar minha janela. Disse que o meu pedido era grande demais para ser realizado por ela, e que somente eu o poderia concretizar, encontrando em mim mesmo algum jeito de assim fazê-lo.
A lua me disse que não podia te trazer de volta.

26 novembro 2009

Intocável

Eu não queria lhe contar. Não queria confessar-te o quanto eu poderia oferecer em troca de um beijo. Era estranhamente estranho contar-te quantas vezes sofri no escuro, esperando que alguém apenas acendesse a luz e me resgatasse dali. Seria desconfortável para você ao saber que na verdade eu era tudo o que você sempre imaginou, mas ao contrário. Com você não iriam adiantar minhas palavras bonitas ou minhas canções sinceras - até demais. Eu poderia até dizer que queria lhe contar tudo, mas perderia a maioria dos sentimentos que havia conquistado com você até o momento.
Eu não queria lhe contar, pois você sempre foi o meu oposto.
E eu odeio admitir que estava irrevogavelmente apaixonado por você.

23 novembro 2009

O meu jeito de acabar comigo mesmo

Bati a porta do quarto com força. Naquela hora, não me importava em acordar os vizinhos do pequeno hotel em que estava hospedado. Sentei na cama de colchão velho e sustentei minha cabeça com os braços. Os gritos da nossa discussão tomavam conta da minha cabeça, e eu sentia vergonha de mim mesmo por ter feito o que fiz com você. Era o momento perfeito para fugir do mundo, fugir de todos aqueles que presenciaram o que te fiz passar. Quando consegui abrir os olhos, ainda com a cabeça baixa, apenas enxerguei o chão. Desamarrei os cadarços de meu tênis e deixei-os em cima da cama. Arrastei meu corpo sem vontade até o banheiro. O espelho antigo e manchado mostrava aquele que eu mais odiava no momento: eu. Depois de alguns segundos ouvindo a barulho da torneira aberta, joguei um pouco de água no rosto, passando a mão pelos meus cabelos. Essa era a hora que eu deveria desistir de tudo? Eu parecia estar tão perto da morte. Olhei novamente para o espelho e dessa vez senti repúdio. Dando passos para trás, pisando sobre minhas roupas espalhadas pelo chão, retornei à cama. Sem pensar, agarrei meu tênis e transformando toda a minha raiva em força, arremessei-o. O som do vidro se desfazendo fez cessar os pensamentos na minha cabeça. À minha frente, apenas a moldura de um espelho quebrado. O meu reflexo havia ido embora.