07 novembro 2010

Por um fio

Quinze centímetros de barbante comum foram necessários para o que eu desejava realizar. Cortei-o e depois o envolvi em torno de meu pulso, amarrando duas vezes para que o mesmo não se desprendesse com facilidade. Seria, a partir de então, uma espécie de amuleto. Algo de mim para mim mesmo.
Junto com isto apareceram mais. Pulseiras variadas, de diferentes cores, e cada uma representando um pessoa em particular. Amigos e amores que mantiveram-se simbólicamente. Devo admitir que foi um bom momento quando via que o meu pulso ia desaparecendo, sendo coberto cada vez mais por aquelas cordinhas baratas e coloridas. Significava que os dias de tristeza haviam de vez ido embora, e finalmente - como um tipo de recompensa tardia - eu estava rodeado por novas faces.
Acontece que tudo é mutável. Pessoas se vão tão rápido quanto as promessas que elas anunciam. Revoltam-se com sentimentos de dúvida, sufocando-se cegamente nas próprias palavras. E as pulseiras... Bem, elas foram simplesmente caindo de meu pulso. Talvez porque não eram fortes o suficiente para continuarem presas à mim.
Ao olhar para as duas que restaram, lembro-me de que a cordinha de barbante talvez seja a única que continuará, pois o único em quem posso confiar sou eu mesmo.
Por enquanto.

03 novembro 2010

Sentir... duas vezes

Ajo friamente. Esqueço os sentimentos. Esforço-me para que sorrisos doces sejam apenas um detalhe. Tudo com a intenção de não me machucar. Mas torna-se inevitável quando as pessoas criam vínculos expontâneos e rápido demais com você. Pessoas sentem, e esse é o problema. Apegam-se ao que deveria ser considerado apenas como diversão, pois no fundo elas sabem de todos os impedimentos de qualquer relacionamento que possa surgir a partir dalí.
E, como se nada além disso pudesse ser pior, acontece duas vezes. Com duas pessoas diferentes. Ao mesmo tempo. É aquela turbulência de sentimentos que te deixa louco, fazendo com que você se perca em promessas e beijos roubados. Você se ilude com noites intensas e abraços que costumavam lhe manter aquecido. São dois. Ou melhor, três. E uma relação, pelo que se conhece, vale para duas pessoas.
Então você se vê na obrigação de escolher. E, hm, você sabe que escolhas e você mesmo nunca foram a melhor das combinações. Não há iniciativa nenhuma vinda de sua parte, então tudo que está acontecendo acaba se acomodando. Torna-se padrão, e o que costumava existir desaparece.
Entre fazer uma escolha - onde alguém obviamente sairá prejudicado - e deixar de amar, você claramente escolhe desistir.

Verdadeiramente falso

Enumero meus erros ao mesmo tempo em que penso que arrepender-se deles seria inútil. Se chegou a acontecer, é porque permiti, então no momento não era exatamente um erro.
Ajo por impulso, porém quando se faz necessária a presença de uma tomada de iniciativa, apenas vejo o nada passar diante de mim, pois permaneço no mesmo lugar, esperando atitudes alheias que não acontecem.
Escondo o que sinto, mesmo que seja forte para que torne-se visível, pois não desejo que qualquer um saiba que aqui dentro ainda impera um sentimento denominado amor.
Descontrolo-me ao pensar que perderia tudo que agora tenho (e que um dia era apenas um sonho certamente inalcançável) com um simples punhado de palavras decisivas. Então prefiro mantê-las acomodadas em um lugar no fundo de meus pensamentos.
Minto para que tudo fique bem, pois eu simplesmente não suporto magoar outrém. Quero o sorriso em todos os rostos, e esse é o jeito mais fácil de consegui-lo.
Eu acho que a mentira é a maior de todas as verdades.