09 dezembro 2012

Heterogêneo

Baixei um tom em meus dias a partir de hoje para que pudesse escutar com presteza o que acontecia ao redor. Diminuí o volume da música, a entonação na minha voz. Foi uma manhã calma em meio ao caos: mais de mil gritavam, desesperados; e eu lá, em perfeita calmaria. Tudo enfim estava bem.
O sol batia na janela e refletia no peito, o sorriso só não era maior pois eu não compartilhava ele contigo. Pensei, dentro daquela sala branca e apaziguadora, onde você estava. Na cama, certamente, pois são 8 da manhã! - ou não. Talvez estivesse voltando, enquanto eu estava indo. Dividindo ruas longínquas de uma cidade tão pequena, eu e você, afastando o óbvio para não ter que acreditar que, talvez, de um jeito que fosse só nosso, ele daria certo.
Calma foi a palavra escolhida para o dia, então. Quem sabe para o mês. Você precisava respirar um pouco, tentar encontrar o ar para que possa soltá-lo em forma de algumas notas musicais. Eu precisava ficar em quietude, aproveitar o momento que, mesmo não sendo completo, já estava sendo o suficiente. Eu e você nem precisamos acontecer para que eu tenha a certeza de que já foi o melhor encaixe que encontrei.
Na volta para casa, escutei aquele sambinha com sotaque do sul, ainda em volume baixo, e compreendi que algumas coisas são melhores assim mesmo: misturadas. Chá quente com cubos de gelo, queijo com chocolate, curiosidade e nervosismo, eu e você.

Um comentário:

  1. Lindo Pedrão! Como sempre. Juro que no final até arrepiei.

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